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O lar olvidado

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Sempre fugi dos círculos emblemáticos Peço inequívocamente desculpa As estradas que anseio são dispersas e ruinosas E a distância é total condição.
Os portos, que sejam os portos e não outros, Que me dêem o lar que todos os dias peço O amor que a cada passo dado suspiro Ardente como no relento do vento...
E que não caie, ó Deus, em esquecimento! Nem acabe nunca perdido num amor insano! Levai-me os versos os cadernos soltos sem fim! Eu preciso de não ser daqui!...

Álvaro Machado - 17h38 - 07.11.2017

Desventura insensata

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estou entregue ao ranger do vento
à gigante onda que defronte se ergue
aos dias às noites ao sistema solar longínquo
entrando pela janela d'um quarto esquecido

estou entregue a uma qualquer força estupenda
que consome toda a minha energia vital
esvai-me esventra-me corrói-me
para o fundo vácuo

e a dimensão e a solidão e a insensatez
têm como natural consequência o refúgio
o desaparecimento precoce
de estar assim entregue

Álvaro Machado - 20h05 - 19.10.2017

de folha em folha, tudo cai vão

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cai folha, cai em vão
cai sempre a cair
vai, não escutes o coração
que de ti não sabe sair

vai pelo chão
mergulha nos ermos semblantes
que onde estou só fito escuridão
vai pela margem dos transeuntes

cai folha paradoxal e quase atómica
nem de mim sei, por que haveria de ti saber?
perplexa e errática e mística
por minha vida desconhecer!...

Álvaro Machado - 18h50 - 31-10-2017

Ruy Belo - Morte ao Meio-Dia (Álvaro Machado)

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Depois das tragédias e dos rostos lívidos no meio das chamas.
Depois de toda a azáfama política. De Tancos. Do caos.
Achei por bem trazer-vos Ruy Belo. Ou, como diria o próprio a propósito de Portugal, "no meu país não acontece nada".

Álvaro Machado - 19h05 - 19.10.2017

Da outra margem!

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o sol está posto, mas é da outra margem que somos...
da margem onde as mãos inda esfriam
onde as ruas se imbuem de gelo
e a névoa preenche o vazio da estrada...

é daqui que todos te almejamos.
todos os dias fitámos o céu para te contemplar.
o que somos, o tempo que esperamos
temos de deixar, nunca abdicarmos...

não sei se o sol algo dia reluzirá aqui...
se as casas terão enfim luz a abrir as portadas...
não sei se existiremos no amanhã ou no momento seguinte,
mas deixemos ir...

Álvaro Machado - 02h57 - 11.10.2017

confissão marítima

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o meu coração é agora a nau
prestes a atracar em qualquer porto
atraco à noite pesada e sombria
ou talvez à manha clara do dia seguinte

estou quase a chegar!
que emoção de conquista!
iço sobre a nau a paz almejada
naquele pedaço de ilha defronte

mas logo uma turbulência desmedida
posta na força do mar insano
quebra em pedaços a nau do meu coração
e o sonho, o amor de ali chegar, cessa em permeio...

Álvaro Machado - 03h51 - 09.10.2017

Diploducos

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Não percebo os campos verdes defronte
Nunca percebi verdadeiramente nada...
Um livro inacabado preso ao vidro baço
Separando eu e aquela vida quotidiana.

O comboio parte cedo na velha aldeia em escombros
Nas carruagens mórbidas inalamos fumo
Sem saber as consequências do indefinido

Ah tão claro e controverso!
Universo sobre cada átomo seu!
Praças imundas, rostos lividos, cépticos
Nas entradas do coliseu romano!...

Assim serei. Assim seremos.
Vácuo dinâmico e errôneo.
O que me destrói não sou eu nem os erros humanos:
É aquele vidro baço.

Álvaro Machado - 01.09.2017

Dedicado ao meu amigo Leo!...