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Da outra margem!

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o sol está posto, mas é da outra margem que somos...
da margem onde as mãos inda esfriam
onde as ruas se imbuem de gelo
e a névoa preenche o vazio da estrada...

é daqui que todos te almejamos.
todos os dias fitámos o céu para te contemplar.
o que somos, o tempo que esperamos
temos de deixar, nunca abdicarmos...

não sei se o sol algo dia reluzirá aqui...
se as casas terão enfim luz a abrir as portadas...
não sei se existiremos no amanhã ou no momento seguinte,
mas deixemos ir...

Álvaro Machado - 02h57 - 11.10.2017

confissão marítima

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o meu coração é agora a nau
prestes a atracar em qualquer porto
atraco à noite pesada e sombria
ou talvez à manha clara do dia seguinte

estou quase a chegar!
que emoção de conquista!
iço sobre a nau a paz almejada
naquele pedaço de ilha defronte

mas logo uma turbulência desmedida
posta na força do mar insano
quebra em pedaços a nau do meu coração
e o sonho, o amor de ali chegar, cessa em permeio...

Álvaro Machado - 03h51 - 09.10.2017

Diploducos

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Não percebo os campos verdes defronte
Nunca percebi verdadeiramente nada...
Um livro inacabado preso ao vidro baço
Separando eu e aquela vida quotidiana.

O comboio parte cedo na velha aldeia em escombros
Nas carruagens mórbidas inalamos fumo
Sem saber as consequências do indefinido

Ah tão claro e controverso!
Universo sobre cada átomo seu!
Praças imundas, rostos lividos, cépticos
Nas entradas do coliseu romano!...

Assim serei. Assim seremos.
Vácuo dinâmico e errôneo.
O que me destrói não sou eu nem os erros humanos:
É aquele vidro baço.

Álvaro Machado - 01.09.2017

Dedicado ao meu amigo Leo!...

Tela final

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Um a um vamos caindo
Num abismo sem fim
Às portas fechadas na chuva turbulenta
Giram corvos numa dimensão tremenda

Um a um, engolidos por razão qualquer,
Da vida vamos indo
Nessa estrada feita em ermo
Razão parva de corações sentindo

E a mágoa de qualquer um?
Colocam-na nos deuses dispersos
Girando e voltando a girar em mim
Até brotados os versos.

Álvaro Machado - 01h42 - 13.09.2017

Lapso fragmentário

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estado bruto e cru
aquém profundas crenças
sóbria dialéctica encaixilhada
ao mundo aonde girámos

estremece defronte o baco
nos navios saudosos doutro tempo
lágrimas, heroísmos disfarçados
commumente a história escreveram

mas onde, ó barcas infinitas?
nas memórias trazidas ao peito pálido,
nos desesperos repartidos ao vácuo da humanidade?
que crer? e por quem?


Álvaro Machado - 18h37 - 16.07.2017

Morfina cerebral

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Vácuo... as horas perspassam infinitamente
Em que desassossegos me disfarço
Até a chuva ouço dolorosamente
Súbito, fugaz embaraço

O passado? Não o tenho consentir.
Fui frágil por deveras sentir.
As naus partiam e regressavam
E nunca era senão as mesmas a vir...

Lá no cimo, infinito que chamamos,
Guardo rancor a tudo que ouse existir,
Enalteço vozes sombrias só para te ouvir
Dizer que nunca nos amamos...

A cave é lancinante.
Os deuses não existem...
O meu desabafo é covarde, desesperante
As dúvidas sempre persistem...