A criatividade


A criatividade do silêncio suscita o som do mar
Desarticula movimentos prolixos,
Em carestia de versos que têm de rimar,
E de ser fixos.

O vento sopra ao ouvido a arte de ouvir
O sol translúcido dá cor às almas falantes
A neve impede a elevada fasquia de conseguir,
Prosseguir os caminhos distantes.

O meu dom é demonstrar,
Que vivo para relembrar,
A inércia de uma vida exigente,
E tão pouco abrangente!

Doí com excessiva dor ver este corpo lasso
Ali defronte num despido fracasso,
Sem racionalidade, sem traços de personalidade,
Ainda assim com alguma habilidade

Chora sem vontade a natureza formosa,
Evoluí as impressões majestosas ,
E por vezes um pouco tempestuosas,
Da flor fresca e harmoniosa!

Plantas dão-nos vida, dão-nos ar
Para que, corpos transeuntes possam respirar,
Todavia tudo isto é em vão!
E para quê tal sermão?
Onde está o sim, está o não.

No fundo da rua avisto um navio de pessoas
Içam a bandeira desconhecida
Desconectam o único remar
Levando-os para longe do mar,
E para perto da desconhecida,
«Ilha d'Coroas»!

Álvaro Machado - 16:56 - 01-04-2012

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