Ó saudade


Ó saudade que tanto me tens faltado
Só por ti a senti, só por ti tenho chorado
Bem me consolavas quando lacrimejava
Únicos e precisos tempos que passava!

Que queda tão aparatosa e estranha
Subia - calmamente - num consolo desesperado,
E sacudia a poeira, arremessava a manha,
Tão saudosa como havia pensado.

Sente-se no ar um vazio. Uma dor em espiral
Nos campos esverdeados canta o rouxinol poisado,
Melancolicamente. Enquanto o havia avisado,
O céu concentrou um precipitado temporal,
E eu vi-o fugir para Sul, naufragado.


Álvaro Machado - 22:22 - 06-04-2012

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