Viagens



Travamos tantas batalhas na modéstia exposição
Vinham, esbeltos homens, cheios de bravura,
Protagonizar acções dignas d'uma fiel gravura
E os infiéis resignavam-se à indisposição;
Numa inerte acção.

Agora já se luta pelo nome no jornal
Ócios que fazem ruído na aldeia silenciosa,
E as plantas -erguendo-se- despem ao descomunal,
Resistindo de maneira triunfal!
Ao que julgavam ser a página clamorosa.

Em França apressavam-se os intelectuais
Lendo, consecutivamente, cartas ancestrais
E era em Chateau d'If,
Que presos e resignados,
Transitavam os de Tenerife.
Esperando o usurpador e os povos difamados!

Ó princesa dos meus sonhos, que me elevas,
Às frias e belas serras d'Evas;
Mas este coração já não sente,
Desde do tempo do velho clemente
«Que havia aclamado antes de morrer,
«Que este mundo só nos fazia sofrer»

E por ti, e por si só, ao vento escrevia,
Palavras que tão pouco sentia...
Minha alma, meu calor,
Atraiçoou este amor...


Álvaro Machado - 14:56 - 29-04-2012

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