Nas margens do rio


Enquanto passeava pelas margens do rio que não existe
Cheirava, um aroma, num vazio sem fim
E a água escorria; o vento soprava para junto de mim
Ventanias que me deixavam triste

Junto a uma banco sujo e partido, sentei-me a pensar
Em miudezas que havia passado; em águas que havia percorrido
No que, sem ti, nunca havia de ter conseguido,
Ó barca despenhada em alto mar!

Tu fizeste com que, um dia, me julgasse perdido
Na vasta floresta alheia ao meu pensamento
E as jangadas que construímos quebraram
Num mar e num rio por que nunca passaram

Chovia toda a solidão do mundo naquele banco...
Como eu me recordo de tudo aquilo!
Por vezes ainda tonto e manco
Navego em mar e rio intranquilo...

Álvaro Machado - 15:26 - 20-06-2012

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