Tarde de Caim


Subiam escadas sobre mim, levadas a um quarto andar
E a tranquilidade incidia-se por entre os livros, por entre as palavras…
Escadas que pareciam mais nuvens cheias de ar
E onde elas subiam sobre mim como escravas…

Entre o primeiro e o terceiro andar achei a plenitude
Dentro de mim imaginei-me um grande autor.
Cercam-se livros sobre mim – eram eles o meu leitor,
E eu o príncipe, o rei, a majestade da virtude.

E na insígnia de grande em palavras havia outro local,
Chamado segundo de andar. Lá reinava o vazio entre escadaria
E nós, visitantes, passávamos indiferentes ao lugar espacial
Menos o tal escritor, aquele que mais tarde seria.

Mas foi no último de todos que a conversa calorosa chegou!
Ó homem digno d’um nobel!… Tu vales a minha visita!
Incidiram sobre mim olhares e a senhora que me conversou
Falou-me dos teus últimos suspiros! Do último Caim! Da tua escrita!...



Álvaro Machado
- 19:59 - 09-07-2012

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