O meu confuso obstáculo


Nunca oiças o que te digo...
Ah! Se eu te digo isto...
Esquece o que te digo,
Esquece que te disse isto!

E porque te falo ainda falando?
Porque te escrevo e porque estou a dizer?
Ah! Se eu pudesse, eu próprio, viver!
Que seria disto que estou demonstrando?

Tanta coisa que me faz dizer estas coisas...
Mas escrevo sobre nada - que é do coração.
Este inerte isolado na multidão,
Que sabe a múltiplas coisas!

Não entendo ou pelo menos não me faço entender
Aos que passam transeuntes nesta avenida,
Invisível para todos menos para a minha vida
De nobreza destacada até morrer...

Tem um formato a jaspe baço de variadíssimos formatos.
Tudo anda há sua volta num atónito caminho extravagante.
Estou dentro de tudo aquilo... Envoltos rostos,
Sobre a rocha fria deste meu pensamento alucinante...

E volto a ti, que é de ti quem falo. Que te hei-de dizer?
Nunca darás ouvidos ao que te digo, nunca irás perceber.
Esquece toda a forma que te escrevo sem querer
E ainda assim eu próprio estou a escrever...
Ah! Que obscuridade de rotas, de precipícios, de tudo isto!
Será, ou não será? Ou será e eu não quero que seja isto?
Que ira te canto sem querer! Que versos são estes que estou a escrever?
São extravagâncias exigidas pela alma que sonha até enlouquecer!
São nódoas do buraco negro, que é o universo de poeira estrelar.
Esse que por aqui vagueia exteriormente pensado e interiormente dizendo...
Vês tudo o que invento? Tudo isto para inventar?

Álvaro Machado - 14:58 - 31-08-2012

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