Pela janela do clero


Durante anos a raiva tornou-se um modelo de paz
Lá se davam voltas pela rua descalça e fria
Onde o povo unido sempre voltava atrás
E nunca perto chegaria.

As igrejas de mármore destruída pelas vistas de fora
Causam pena aos olhos que passam cheios de bondade
Dentro, algures no interior, pelas esmolas dadas na hora,
Surge um magnífico altar ornamentado de artificialidade!

Atrás de mim há vozes em couro altivas e gastas
Que elevam o espírito além beatas...
O interior que prospera, o exterior que desola...
Luxuosos santos cheios de bonança tangendo a viola,

Abreviam a melodia à sua santidade...
E a luz interior do pobre que passa transeunte
Afoga-se, sem chama, sem intensidade
E o sabor a derrota leva-o no fim ao paladar de triunfante.

Ele vai a mendigar, porta-a-porta, até encontrar o célebre cristão
Rico, fiel e cheio de bondade, abre-lhe a porta repentinamente,
Rejeitando o seu afecto com aquela triste alma não-digna de um tostão
Chorando tristemente...

Durante anos eles reinaram
A dádiva caída do senhor...
Anos e anos e anos prosperaram
Louvando missas ao senhor...

Álvaro Machado - 22:11 - 08-08-2012

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