Arrependimento


O arrependimento surge-nos depois da morte.
Porque enquanto somos vida, cheios dela ou não,
Vivemo-la inconstantes, ébrios sem razão,
Esperando que o fingimento se note.

Só somos verdadeiramente humildes
Quando frágeis passamos horas repugnantes.
Homem, sê humilde. Homem, vê-te como dantes,
Humilde em hora de Hades.

Pois, quando esse arcanjo sobre ti descer,
Serás mais quem um simples ser.
Serás como que não sejas ninguém
E verás arrogância desse desdém.

Arrepender-nos-emos no juízo final.
Até lá, gostando de aqui estar ou não-estar,
Viveremos contrariados num sono profundo
E ninguém irá despertar…

Nem que vá ao fim do mundo!
Que seja eu louco ou não louco!
Passe eu por funerais humildes, ó Deus!
Morra eu por essa humildade fingida!
Seja, finja, minta ou não-sinta, que me arrependa!

Álvaro Machado – 18:21 – 24-09-2012

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