Estado de contemplação


Contemplo esta igreja derrubada.
Contemplo tal esse misticismo.
E deixo minha alma entrar num cismo,
Onde sou culto e vida acabada.

Paro, entro e sento-me perto de Deus.
Esse tal velhaco protector dos seus.
Mas quem sou eu para aqui estar?
Sinistra força de além que me faz rezar…

Cai sobre o altar, cheia de pó, uma luz.
Atravessa corpo de Deus e sua cruz
E atravessa-me como um raio tenebroso,
Sussurrando ser Deus todo-poderoso…

Se existes, David, porque somos ateus?
Porque há cepticismo?
Se és mesmo tu, profeta do misticismo,
Porque estás longe dos teus?

Abandonas os mais fracos também…
Vê aquela santa mulher, além,
Mais cadáver que propriamente ela,
Essa mulher que se usa da baixela
E presta culto à alma de ninguém!...

Álvaro Machado - 14:22 - 22-09-2012

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