Um dia de uma manhã brumosa


Um dia de uma manhã brumosa
Descia com uma grande insatisfação
Quando se deu uma chuvada tempestuosa
Pelo meio de uma grande multidão

Fiquei todo molhado, o meu fato encharcou…
Sobre nós, com estrondo, o céu baço desmoronava.
De repente a multidão envolta estava,
E o temporal passou…

Os candeeiros públicos eram ferros quebrados;
O cimento do solo estava requintado por fileiras d’água.
Continuava a chovar apesar do temporal passar; E eu cheio de mágoa,
Pela rua fora caminhava como os embriagados.

Aglomerados de gente concentravam-se junto da cobertura
Numa proximidade entre a cidade fusca e o campo aberto
E as nuvens eram tantas que o fim do temporal parecia incerto,
À hora que passava, intensificava e indagava sem cura…

Lágrimas escutavam-se como uma gota caída no chão tristemente…
Memórias alastravam-se na rua como última esperança de vida…
Suores frios que enchiam o ar de incerteza… Olhos postos no céu,
Esperando um milagroso Deus que desse um fim rapidamente
Ao seu sofrimento, que era seu e meu…

E os minutos pareciam poucos numa longa vida
E tudo passava à minha frente como sendo o fim
E apesar da revolta, da injustiça, das más intenções
Descobri uma razão diferente dentro de mim
Para saber lutar e contrariar as tentações…

Foi uma apoteose que imaginei na sala de estar,
Fumando compulsivamente um cigarro de madeira…
Ah! Quando dei por mim tudo já era cegueira
E o sono tomava conta do meu fitar.

Álvaro Machado - 16:10 - 10-09-2012

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