Vinte horas


Vinte horas de dor, vinte horas passam cansadas.
Escurece o azul céu e, de repente, vem névoa
Sobre as nossas casas confundidas.

Jardim destroçado quando estou a contemplar...
Vácuo pássaro que voa...
E só é vista desfocada do meu olhar...

Aparadas flores pelas mãos do jardineiro,
(Belas flores molhadas pelo dilúvio!)
Ainda quentes do manilúvio.

Mas dá-se uma amálgama: estagna o ponteiro.
Rotinas são quebras inesperadas na indústria
E só vejo um manto, que é do carcereiro,
Passar sobre esta mão de Áustria.

Velho país duradouro de velho continente.
Sob o céu alaranjado fito, transeunte,
Nesta hora cansada, o austríaco misticismo...

E vem rainha, rei também, príncipes encantados
Com crucifixos ao peito, infiéis desacreditados!
E passa a hora sobre este meu cismo...

Álvaro Machado – 21:45 – 20-09-2012

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