Inglês a bordo





Sonho eternamente por necessitar imaginar e vivenciar
Coisas que o mundo real ou surreal ou qualquer um
Nunca poderá dar por sair sempre dos sentidos; e nenhum
Será no fundo e todos serão impossíveis de pensar

Ali prevalece o que ali não pode ser. Prevalece o futuro,
Sempre, sempre e sempre correcto como se fosse real...
Prevalece a força, a união, a felicidade, sobre um muro
Que divide a razão e o motivo de ser sensacional...

Ouvir à porta do quarto, que está silencioso como sempre esteve,
Metafísica no corredor chamando como se de um objecto se tratasse!
Ah ouvindo aquele som foi ouvir como se o sentido enganasse!
E nas portas de outros quartos felizes,

Brilhava sobre outra coisa ainda a brisa tépida e leve
Em que sonhava um sonho incolor e uma dádiva caia dos céus...
Como parecia realidade a ventania, a brisa, a divisão das luzes!
E tudo se sobrepunha aos sonhos meus...

Buscar a felicidade rompendo com a tristeza é um coma profundo.
Nunca, jamais, nem pensar! Eu quebrar esse sonho moribundo?
Só alguém como Deus se supera. Mais ninguém! Ouviram?
Mais ninguém supera porque nunca sentiram...

Igreja nos sonhos torna-se um imaginar enfático, recalcado
E o prolixo enche-se de riqueza paradoxal!
Recalquem o vosso sonho. Tornar-se-á um recado
Tomem-no, então, como aviso excepcional!

Ali junto de vós, longe de mim ninguém supera ninguém..
Por estar longínquo é dado como exógeno...
Lugar impossível sendo possível para toda a humanidade...
Silêncio ruidoso, enseada inexequível, inglês abordo da felicidade...

Álvaro de Magalhães - 00:20 - 21-10-2012

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