Passos insontes




Descia com meus passos insontes
As escadas frias, que apenas sobem,
E no crepúsculo, acima de montes,
Meus passos pertenciam a outrem

Percebi que não posso ser eu.
Nunca poderia ser, tenho consciência.
Eles foram dados por quem morreu
Desde da sua existência.

E vê comigo aquela visão, por favor.
Junta-te a mim nestas escadas
Como se possível fosse dar grandes passadas...

E chega aqui, que me acerco de pavor.
Apressa-te, rápida e veloz,
E o grande passo daremos nós...

Álvaro Machado - 21:16 - 28-10-2012

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Da outra margem!

Jorge de Sena - Uma pequenina luz bruxuleante

de folha em folha, tudo cai vão