Ar. Mar.




Levemos a vida levemente num sopro divino
Em que tudo é-nos dado por Sílfide
Na margem dos impossíveis encantados…
No ar, beldade escura da noite sofrida,
No mar, profundidade da obscuridade inteira…
Um Silfo estendido sobre o céu, enfeitiçando
A leveza das nuvens, que tanto são puras
Como fiéis à humanidade…

São conscientes da alma e por isso não seres humanos…
Vêem, como nós, a lua, o sol e as estrelas padecidas
No céu imóvel… E vêem o mar dos nossos povos,
E vêem as descrenças dos que por aqui andam…
O céu deles é o nosso Destino, e o nosso Mar
Razão da sua existência prolongada…
E é Paralda sobre as montanhas altivas quem ergue
Sua voz e diz: “Vem levemente para o ar...”;

Velhaco mar acercado de inúteis fardados, coisas supérfluas,
Enfados eternamente enfados, marinheiros sem destreza,
Voz trémula do capitão abordo e o fundo do mar morto
Em que ninguém espera!...

E o céu continua ali, levemente leve e breve brevemente…
Sua simplicidade eleva-nos à terra de ninguém
Pelo ar de Sílfide e pelo universo do grande mestre…
Levemente irei para onde pertenço: para o ar!...

 Álvaro Machado – 21:08 – 06-12-2012

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