Ártemis




Há uma distância entre mim e Ártemis, apesar de pouco perceptível
Aos olhos de quem passa; A carabina está enferrujada, ninguém faz uso,
As botas datadas de uma qualquer guerra estão lamacentas, e o seu corpo
Tem estado perdido numa solidão infindável

De resto, o nosso contacto foi como sempre havia sido: sereno, em paz
Com a alma, um pouco distanciado, porque as circunstâncias da vida
Assim fizeram o destino; Eu tenho a alma escalpelizada, sem rumo
E ele tem a bondade dela e a grandeza sua...

Ártemis continua no seu canto com um flagelo imperceptível...
Ártemis saúda por quem passa, mas ele por dentro chora...
E depois uma distância perdida algures foge com ele,
Ninguém lhe resta para as caçadas...

Ingrata vida para quem faz arte com uma carabina envolta ao corpo!
A floresta alheia é o seu refúgio durante as noites de caçada...
A floresta de quem não tem onde caçar e por isso caçador solitário!
Ingrata vida de quem é seu admirador...

E a mim, a quem resta admiração, cabe levar o peso da sua presença,
Que está enfraquecendo de dia para dia, de conversa para conversa...
Ártemis é a distância entre a solidão mais triste e a admiração mais enfada;
E a mim só resta separar o tempo das conversas...

Álvaro Machado – 22:32 – 04-12-2012

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