Essencialmente.




O que há essencialmente no meu coração é amor
- Talvez de uma chuva esquecida, talvez... -
Dos amores mais sobriamente indefinidos,
Dos naufrágios mais intensamente sofridos,
E, enfim, da essência de haver um amor
Apologista dos tantos meus sentidos.

Algo de superior para quem é pessoa que não é.
E há um verso também que fala sobre mim
Algures perdido vão e intensamente vão pela aldeia;
Há alegria de acordar e imaginar uma epopeia
Escrita algures num rochedo, relatando-lhe fim
Do que foi sempre aquilo que não é.

E como na rua da aldeia não finda a chuva triste,
Acerca-se-me a loucura de poder ser a chuva a cair!
Enaltece-se-me a intemporalidade do acto que ouviste!
Sobressai-se-me a genialidade pura de não te ver sair!

E há tanta coisa intrigante do outro lado da rua,
Talvez um homem de guarda-chuva,
Representando todas as minhas indecisões.
O que há de essencial não são as conclusões.

Álvaro Machado – 15:02 – 15-12-2012

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