A ti, de mim.




a ti, porque estás longe,
te dou a morada de mim:
sol sem raio, codesseira sem fruto,
averno sem chama, derrocada sem pedra,
bússola sem norte, futuro sem ambição
e tragédia ridiculamente eterna.

a ti, porque és nada p'ra mim.
e o nada que me és, é-lo em sonhos.
as pessoas por quem passo vêm do funeral
de alguém que por aqui já não mora,
por isso, ventos soltam brisas esquecidas,
ventos sofrem, também, como as vidas.

tudo se estagna inertemente em cântico de rouxinol...
as orquídeas rejuvenescem-te assim tanto?
o cheiro a mar e a areia mole das encostas?
céu azulado em contornos que sugerem nuvens em pessoas,
ou, se for de teu agrado o inverso, pessoas em nuvens?
quem olha céu? os refugiados em terra.

tudo é direccionado a ti, apesar da distância;
direccionado apenas, porque o tinha de ser...

Álvaro Machado – 17:20 – 26-01-2013

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