Ao amigo de longa data!




"Tem passado anos atrás de anos
Em que não trocamos palavras,
Alegrias ou infortúnios.
Será da distância ébria de Portugal?
Será da distante e acolhedora França?
A Eiffel não me responde a isto,
Apesar de roçar nas nuvens e no céu...
Quando lhe toco aquilo parece meu,
Mas quando penso em ti já lá vão muitos anos!"

Ó amigo de longa data! Sinto estar no meu fim
Enquanto te escrevo esta carta de amizade;
A vida por aqui tem sido uma eternidade
E ninguém percebe de saudade!
Ó amigo de longa data! Volta para mim
Enquanto não chega o meu fim!

"Mudei tanto desde da última conversa,
Que se visses nem acreditavas.
Nunca me esqueci de quem sou, mas mudei...
Agora estou como sempre sonhei:
Longe de todos, porque isso entristece,
Longe dos ambientes, porque isso é vago,
Longe das coisas más, porque isso é falso,
Longe do bem de todos, porque isso é misericórdia;
Agora? Agora sou feliz porque vivo sozinho
E vivo apenas para mim, descrevendo paisagens
Que não me dizem nada, falando com pessoas
Que não me são nada, suspirando por amores
Que não sabem o que eu penso de amor..."

Desculpa-me por te escrever tão tarde.
Eu perdi a noção das horas, dos dias e de todo o tempo
Em que vivi por cá... Estou no meu fim de versos,
No meu fim perante tudo e todos.
Se há alguém que eu tenho de agradecer é a ti,
Porque só te conheci a ti...
Desculpa por ser tarde, desculpa por ter saudade...

Leonard Sagè – 19:41 – 17-01-2013

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