Chuva de leme




Em nenhum momento a chuva cessa
E a noite continua a correr cheia de pressa
Em silêncios constrangedores que fazem pesar
Num tédio por que ninguém quer passar

Ah, a inércia com que me acerquei,
Se conseguissem ao menos imaginar!
Sou um jovem que nunca pensei
Ser e nunca pensei acreditar!

Tão novo para o mundo, mas que o vê tão claro
Como a água dos rios e dos mares sombrios;
Sou tão novo para um pensar tão raro
Que transcende todos os navios,

E se vai por aquele Mar de Inocências,
Que ninguém quer acreditar...
E se vim ao mundo foi para recitar
A vida de todas as excelências!

(Pára o navio e o convés fica quebrado.
O marinheiro, que tanto tem navegado,
Depara-se junto a mim no leme
E eu digo-lhe: "Apre! Infinitamente reme!")

Remar é como fugir: não temos por onde ir.
Só remam e fogem os inocentes...
E tu, marinheiro da inocência, como te sentes?
"Ao leme, a remar ao infinito" - disse ele a rir.

Álvaro Machado – 23:09 – 17-01-2013

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