Contestação interior



Na minha contestação interior, na minha revolta,
Sinto não estar certo do que vou ser.
As águas mexem mal, a vontade anda à volta,
E eu já não sei o que quero ser.

Posso eu ser apenas anarquista? E não querer ser mais?
Eu assim seria feliz com todos e não me revoltaria com ninguém...
Ó Destino de águas paradas, por onde me levais?
Apenas quero ser e não ser mais do que ninguém...

Quando olho cismático para os pormenores que me dão,
Sinto como a luz daquele restaurante uma solidão
Que só eu e a ela podemos sentir, porque é minha e dela;
E o fumo que faz no ar é a razão de eu sê-la.

Vou em cismo todo o caminho: quererei em viver aqui?
Nesta imitação imperfeita do homem? Não vale a pena,
Porque a perfeição está num universo longe daqui
- E isso é que me deixa com pena!

(Mas isto não é nada, nem contestação deve ser;
Contestação é aquele vadio que me pediu para comer...
Isso é que é uma contestação interior que posso crer,
Porque isto é apenas estar cansado de viver...)

Álvaro Machado – 20:31 – 16-01-2013

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