Cormac



 
Perdidos em vão e à sorte do Destino,
Esquecidos por tudo e todos,
Somos os poetas do Meridiano de Sangue
Isolados, porque assim o quiseram.

Ermos e inertes lugares,
Povoados apenas por os desventurados...
Florescem e frutificam os pomares
E quantos dias são por nós passados?

Ah, que é doloroso deambular ao azar!
E o farrapo do miúdo se lhe desnorteia!
Quantos mais estão para vir? sabe ninguém,
Ninguém é certeza de vinda.

É o despovoado bebedouro dos camelos
Que lhes arrefece a pressa da vinda:
"Pois vide vós o averno que vos espera
Quando mil tochas vos marcarem o rosto!"

Lhe atirava com infâmias ainda no porvir
- Atiravam-nos com as culpas de quem sonhou
Com tudo o que não podia ser seu,
Atiravam-nos com a má sorte de quem amou...

O porteiro da antecâmara, desgraçado ele também.
Desafortunado como seus compadres poetas,
Que foram sonhando e foram-se perdendo
Até ao lugar esquecido do Meridiano de Sangue.

Álvaro Machado – 17:58 – 27-01-2013

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