Ser o que não é




Retracto a beleza
E mais não penso
Se realmente é
O que é.

Pode ser, não ser
Ou apenas crer
Que ela seja
O que não é.

E toda ela é assim:
Elegante e bela,
Desajustada e tenebrosa,
Tão falsa como justa...

E se me é permitida a chance
De vos dizer algo sobre mim,
Digo-vos: nunca soube coisa alguma,
Nunca soube de onde vim...

Dos anos que passam,
Das saudades que deixam,
Dos momentos que vivam,
Das dolorosas vidas que nasçam...
(Isso tudo, sou-me.)

Mas se existes, cruza-nos
Entre o belo rio de águas passadas,
Nós esperamos com real espasmo
A falta de crença em ti...

Álvaro Machado – 14:09 – 03-01-2013

Comentários

  1. "O Poeta é um fingidor" já dizia o grande génio. Não sei a quem te referes neste poema, ou se nem há ninguém a quem te refiras. Isso tudo fica guardado em ti. E, na verdade, a magia da poesia está em tomar-se infinitos significados a partir das palavras de outro alguém.
    Nem todas as pessoas são, inicialmente, aquilo que aparentam. Desiludimo-nos com facilidade. Mas, de cada uma dessas pessoas que inocentemente finge algo que não é é-nos dada a oportunidade de lhe conhecer o lado bom, o lado mais positivo dessa pessoa. Portanto, isso é o essencial, conhecer e usufruir do melhor lado de cada pessoa, porque todos nós o temos.

    ResponderEliminar

Publicar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Jorge de Sena - Uma pequenina luz bruxuleante

Desventura insensata

Assim.