Vazio da sala




Fechei os olhos e quando dei por mim
Já não havia ninguém a preencher a sala,
Tudo se sumia em pequenas distâncias
Tão longe está quase sempre o fim

E como sumiram, resta imaginar sua presença
Disposta em várias personalidades, umas estáveis
Outras instáveis, umas alegres outras destroçadas,
Tão longe está quase quem já esteve

(Terá sido a ideia de haver tempestade que os sumiu?
As horas parecem iguais para todos, assim como rotinas,
E quando um vem vêm todos atrás, quando um vai
Vão todos com a mesma predisposição p'ra ir)

- Passa uma hora quase despercebida -
Quando dou por mim chegam mais rajadas: pessoas
Pelas quais eu sinto uma compaixão enorme sem as conhecer.
Chegam de uma tempestade e entram num paraíso

Logo se desfazem dos trajes por índole,
Logo se contentam a contentar a empregada
Com as notícias de lá de fora. Eu oiço tudo,
Ali no canto transparente. De que me vale isso?

E começam a falar do tempo
Como se conhecessem estados de tempo;
Não sabem e falam, falam e não sabem
O que realmente é um tempo destes,

Porque quem verdadeiramente presencia tempo
Sabe que não lhe chega nenhuma conclusão
- Porque cada tempo que se passa é perdição
Em vários estados de tempo.

(Mais uma rajada, desta vez especial, que me atravessa.
Um tanto especial porque deixa-me sem pensar...
Quando a vi despertou-se-me a vontade de admirar
Não a ela, que era especial, mas a chuva de lá de fora)

Álvaro Machado – 21:17 – 22-01-2013

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