Ao embarque!




Dedicado a Orionte.

Embarquemos nesta aventura juntos,
Porque em união teremos a força
P'ra lutar e p’ra partilhar da saudade juntos.
A sineta já começa a tocar e por nós aguarda.

Eu embarco com a força de um jovem
Que dispõe só de si para conquistar o mundo;
Eu subo degrau a degrau a pensar na guerra
E a bordo, a fumar, penso:

«As políticas que nos movem não valem nada.
As pessoas com quem partilhamos esta história igualmente.
Na verdade, ninguém quer saber de ninguém e a única esperança
Que, espero eu, existe é a de voltar são e salvo!»

Quando chegarmos, eu vou ter a consciência
Que não pertencemos aqui e que a guerra estará perdida
Ao primeiro momento em que erga a arma e caminhe na floresta.
Ao redor, ao redor da floresta.

E quando caminharmos, teremos uma emboscada:
Levar-nos-á a fome a fazê-la sem cobrir-nos a retaguarda;
Os tiros virão da escuridão das árvores e a morte pressente-se
Quando o coração começar a bater ávido.

Imaginemos o rio da distância, que nos separará brancos e pretos:
Só o norte interessa para atacar o inimigo; o escorrer da água
É a certeza de uma fuga - eu, mais tarde, verei todos eles fugirem
Pelas águas da sobrevivência,

Até que, vou disparar da minha carabina para o interior da água.
Se firo alguém ou não, não o sei; atiro-o por medo de ser alvejado,
Não o atiro pela maldade da maioria dos soldados.
Até que há um que vem em minha direcção:

Vem a cambalear com a predisposição para me matar,
Vem naturalmente com a sede de vingança.
Talvez pense: «Quem és tu? E porque estás aqui?
Esta terra não é tua, foge daqui.»

Talvez me esfrie o coração na altura e sinta empatia,
Mas também o medo me correrá pelas veias...
Nunca terei uma resposta para lhe dar; a carabina lhe apontarei
E, nesse momento, cheio de medo, o matarei...

Álvaro Machado – 22:05 – 19-02-2013

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