Faroeste




Uma tempestade de areia
Leva-me a achar sem certezas
Que o disparo da espingarda é um eco
De mim para o mundo.

Quem o dispara sabe que uma vida vai acabar.
Desse som e dessa vida que vai tirar
Só lhe restará o escalpo preso no faroeste
E o cheiro a cadáver, que cheira a destino.

De que somos feitos depois de arder?
A vida deve simplesmente acabar por aqui?
Não; quem escolhe se continua é a alma
E o caminho a traçar é só de si para si.

Resto disso é a paisagem deambulante do deserto
Que nos aproxima vagamente e nos distância alucinantemente...
E este mundo é já a saudade e o sofrimento de o viver...
Quando escurece no deserto já não sei quem sou,

E fico perplexo fitando as estrelas
Como se lhes visse alguma forma de vida
Mais completa do que a minha, e ao vê-las
Parece que à minha terra entrego a despedida

E por momentos o meu corpo deixa de ser terrestre,
Passa a pertencer às galáxias e aos deuses do universo.
Faz eco de mim para o mundo, a espingarda do desejo,
E eu fiz de mim um homem sem humanidade.

Álvaro Machado – 22:05 – 13-02-2013

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