Cidade sem gente





Em Paris não há conhecidos,
Ter um bom amigo faz parte da antiguidade,
O bonito desta cidade são paisagens
Que não lembram gente.

Aqui tenho certezas que nunca tive,
Intercepto verdades que nunca interceptei,
E com nada me pareço desde que vivo aqui
- Sinto saudades de casa.

Nunca recusei dar uma esmola nem desviei um olhar
Aos que passam por mim, mas isso não faz de mim
Melhor ou pior pessoa, faz parte da personalidade
E da empatia que sinto pelos parisienses.

Eiffel roça no céu e está cheia de saudades...
(Pode até nem pertencer a Paris...)
Eu subo-a, degrau a degrau, até chegar ao topo,
Mas perco a noção da vida

E caio com brutalidade, desperdiçando a cidade que me acolheu,
Sem me despedir decentemente,
Contra o chão duro e frio
Que nunca foi pisado por gente.

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