Conversas




Com a presença da chuva
Agoniza, a conversa, entre nós.
Sobressaem as mais indesejáveis
Conversas, entre nós.

Talvez porque eu já não desfruto
Dos momentos em que mais teria razões
Para desfrutar, junto a quem está junto de mim.
E por que o não desfruto?

Eu não posso, nunca, responder a isso.
A resposta está num patamar acima de mim,
Muito mais acima de mim, onde ninguém chega
- Está acima das nuvens e do espaço.

"O melhor era que nem tivessem nascido" - disse uma voz.
Uma voz certa e profética que ensina à humanidade
Que este mundo não tem nada a não ser a cismática ideia
Do mundo continuar sem nós...

Depois a chuva cessa e a conversa abandona-me.
Orionte já se foi e há-de continuar triste como a noite.
O que agoniza são pensamentos inquietantes
Que nem deveriam ser pensados em mim!

Que gargalhada impetuosa: deixem-me rir.
O que é a vida a não ser uma ironia?
Quantos vão e quantos mais estão para vir
E hão-de pensar estas conversas?

Álvaro Machado – 21:20 – 06-03-2013

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