Maestro tenebroso




Quero versos rápidos e com espasmo,
Quero sentir uma intensa melodia carnívora,
Quero que se exaltem mais e mais poemas
E que sejam cantados altivamente!

Música inerente à palavra! Raiva se for precisa!
Curvatura corporal para compor uma obra-prima!
Louco, ébrio, nobre, exausto, ávido, sereno, pálido!
Mestre das nossas vidas!

O céu: quero-o lúgubre, completamente tenebroso!
Quero-o magistral com nuvens atónitas à direcção!
E depois o silêncio espalhando por toda a parte
A melodia saudosa ao destino!

Que ninguém ouse ser mais entontecido do que eu
Algo dia poderei ser! Peço-vos ó antiguidades clássicas!
Neste momento estou ébrio e há algum mal nisso?
Vou a caminho de casa quando, na minha cabeça,
Imagino notas harmoniosas e submissas…
Uma pausa: a passagem aos enraivecidos tons de revolta!
E vou já na rua com a espontânea vontade de gritar, meu deus!

Ó meu deus, que melodia vagarosa de céu e excêntrica de averno!
A rapidez insensata e demoníaca do álcool, as virtudes de Deus!
Os pujantes contactos com os anjos, a quem lhes vendi a alma
Em troca de notas harmoniosas e galopantes!
Eu, o maestro deste mundo e o servo de Deus!

Álvaro Machado – 00:08 – 09-03-2013

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