Sucessão abstracta




É quase paradoxal compreender
Os mundos de outros mundos
A não ser este, porque nem este é
Compreensível de todo.

Há a sucessão de novos universos
A nascer, para além do nosso,
E quem sabe não possam estar p'ra nascer, agora,
Milhões de esperanças e desejos.

É permitido com que sonhe isso,
Porque me foi concebido esse dom
De sonhar como que esquecendo
O mundo em que estou vivendo.

E eu deparo-me com a minha casa,
Acendendo velas para confraternizar
Com os diversos universos que estão para chegar
Mesmo que não existam.

Dá vontade de os sonhar, porque me parecem impossíveis de sonhar!
Dá vontade de os desejar, de os querer ali, naquele momento,
Todos eles só para mim! E talvez o custo dessa cismática abstracção
Seja a perda da realidade como realidade,

Torná-la tão grotesca que já o universo não faz sentido,
Torná-la desprezível que já nem nós fazemos sentido!
Que o mundo inteiro desabe e nós trocemos dessa situação
Como se ele estivesse só para nascer...


Álvaro Machado – 22:32 – 05-03-2013
 

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