Liberdade condicional




Sou livre como um pássaro quando está a voar,
Sou superior dos superiores ancestrais,
Sou senhor para não ter normas nem leis que mandem em mim!
Eu, livre como o ar, identifico-me nas incertezas, apenas...

Quero dispor de toda a liberdade como esses astros que vagueiam pelo universo!
Quero pertencer à matéria invisível que não se sabe bem se existe ou não!
Quero respirar ar puro, também raro, que circunda em voltas controversas!
Livre, portanto, é livre nessa condição de respirar liberdade, unicamente...

Ter e ser mente livre, alma com pujança p'ra sonhar eternamente,
Bater de asas de um pássaro do futuro que anseia regressar no tempo,
(Para matar as saudades) linhas do horizonte que desesperam
Para ver homem que as desenhe...

(Homem que as desenhe, dizia eu?) Homem, homem dos acasos sem remédio.
Sou, por índole, livre, em nome e acção, mas sou, também, prisioneiro
Sob quatro cantos disformes chamados mundo, que acorrenta-me os pés
E não me deixa nunca percorrer nada além de si,

Limita-me de fraqueza, que é quanto baste, para eu desistir e não poder voar,
Nem ser imortal, nem ser rico, nem espalhar oiro pela cidade obsoleta...
"Nada de voar nem de ser imortal!" - atira-me, o mundo, à frente da minha face,
Para que eu livre possa não ser...

Álvaro Machado – 19:38 – 04-04-2013

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