Derradeira viagem


Estou na viagem que dita o meu fim.
O sopro do vento desta vez só tem uma direcção.
E eu nunca quis verdadeiramente isto para mim.
Tudo o que aconteceu foi da ocasião.

Quem me dera que a vida não fosse de coisas tristes,
Nem houvesse tantas pausas a viver.
Só queria estar mais tempo convosco, não tão distantes,
Até ao novo amanhecer.

Vamos. Se partir é só mais uma etapa
Não há que ter medo, nem fazer grandes despedidas.
Então eu deito fora a capa
De tantas que tinha vestidas.

Parto à primeira brisa da manhã. Sozinho para lugar nenhum.
Com o amanhecer e os pássaros e uma boa quantidade de rum
- Que é quanto baste p'ra me lançar ao mar -
Eu vou andar por aí com a sorte e com o azar.

Vou consoante os corsários.
Serão eles, daqui a anos, os aeronáuticos
Do momento. Sobrevoarão os países Bálticos
E pilotos serão vários.

(Mas tudo isso está no porvir
Coisa que eu esqueço no meu partir...
Que consoante as injúrias do leme
É que realmente a vida me treme.)

Soam como náuseas quando se elevam as mãos
Para o adeus aos seus entes queridos.
E agora dá que pensar: tantos dias perdidos
E tantos sentimentos vãos...


Álvaro Machado – 14:41 – 23-06-2013

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