Labirintos da alma


Inócua podia ser a alma de todos.
E ajoelhar-me para a prece
É dar razões a Deus para se achar superior
A mim e a todos e a nenhum.

Acerco-me somente da sombra do mundo,
Escondo-me por entre esquinas e labirintos,
Para que não me oiçam, nem me vejam, nem falem comigo...
Deixem-me encostado a um canto, sozinho, a esquecer-me...

Se todos fossemos iguais, ao menos iguais seríamos!
E todo o largo flagelo do meu coração veriam.

Mas o que sou eu não sei. O maior infortúnio está em nascer.
Porque, por mais caminhos que se façam, o fim chega e destrói tudo o que se construiu.
E continua a ser dor; continuo eu a ser a sombra de homens
Por não me conceber a ser um.

Inócua fosses tu, vida, e a minha alma
Não conheceria tão amarga sensação
De não saber quem é, quem sente,
Quem vive dentro de si...


Álvaro Machado – 23:31 – 08-06-2013

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