Partida de Orionte.




Cai desinibida, noite de luar.
E no banco, encostado, Orionte
Tem vindo ansiosamente a esperar
Um largo sinal no horizonte
Que lhe diga a hora de partir.

Suas mãos vacilam no pomar;
Encostado, vejo-o pensar
O porquê da solidão vir
Antes da morte chegar.
Mas só ele sabe porque virá.

Nascem laranjas nas árvores
E o pomar em pouco tempo crescerá.
Orionte vê finalmente seus louvores
Serem escutados - ou deus os escutará,
ou deles se refutará.

Será, porém, esquecido.
Será só mais um que passou.
E o coração, esse, poderia ter sentido
Mais do que sentiu:
Sentir que alguém o amou.

Álvaro Machado – 22:41 – 05-06-2013

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