Ente Supremo



I.
Turvo destino que calha porque tem que calhar
Se em nossas mãos o não podemos mudar.

E o crescente infinito que nos faz questionar,
Em mesmo crescente nos faz ser nada.

Tocam-no no céu, tocam-no em cada olhar
- Infinito vácuo por onde jaz todas as incertezas da alma!

II.
Que já nem sei por onde suponho, de facto, existir
Meus olhos iludem meu sentir…

Que pensar tira tempo ao tempo da vida,
Já do pouco que resta e não se interrompe…

Bate o coração em todas as estrelas.
Qual será a direcção?


III.
Fragmentos são o que nos compõem,
São sentidos inacabados para fins impossíveis.

Inquieta dúvida ou assombrosa novidade
- A nenhuma, porém, se revê a humanidade.

Somente se ouviram partidas e chegadas nesta instância,
Que a tantos de nós suscita uma súbita ânsia.


IV.
O universo chega a nós na escuridão da praia intemporal.
E o que me ouso dizer? Nunca vi nada igual.

A verdade é que todos a carregam, que tudo se assemelha a ela.
Essa verdade que ninguém sabe e tudo supõe.

Álvaro Machado – 03:07- 14-08-2013

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