Boémio


Não tenho porque não querer viver
Aquela vida boémia que todos viveram,
Em outros tempos, em outras circunstâncias.
Talvez embriagado saiba melhor ser eu,
Melhor me conheça, mude os hábitos, as rotinas,
Que talvez o tédio se finde e as preocupações tomem rota idêntica.

Talvez não, também; haverá sempre um senão
E o caminho será, também ele, uma eterna indecisão.
Se ouso mostrar-me nestas circunstâncias
- Em que enalteço o valor nobre do sentimento humano –
Deixai-me, pelo menos, mostrá-lo embriagado
E assim talvez custe menos, e me ache um artista…

Transcendente é o caminho que a febre leva a percorrer…
São dimensões ocultas, tão misteriosas, tão perigosas,
Que eu, meu deus, que enalteço a toda a hora a tua imagem,
Sinto-me só para poder tocar nestas dimensões,
A não ser que o meu estado seja não estar no meu estado,
E aí estarei somente no mundo meu.

Dir-me-ás tu quem escreve estas linhas sobre as margens?
O poeta vulnerável e completamente incongruente?
Ou o poeta que se manifesta indignadamente quanto está desleixado e ébrio?
Não quero ter dinheiro; ser rico é para mim uma dolorosa prisão.
E mais prisioneiro da riqueza é o que deseja insensatamente e não a tem,
Esse cairá sobre a desgraça..


Álvaro Machado – 27-10-2013 – 14h30 

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