A quem pertenço?


Eu não pertenço ao mundo.
Pertenço à alma de cada coisa que vejo:
Se chover, ponho-me à chuva e ao lado de cada coisa que se molha,
Se, quando cair a noite, houver tristeza nelas, eu também entristeço…
Por isso, serei cada coisa dessas, sentirei o que elas sentem,
Viverei como elas, mas sem pertencer a nenhuma delas…

As estrelas alentam-me a esperança:
Há vida depois de passar por ali, tem que haver!
Acredito afincadamente que haverá um paraíso defronte disso.
Porque, senão, que prazer teria eu em deambular nessa inquietação, persistente e permanentemente?
Nenhuma! E acabaria comigo nesse mesmo instante, pois aqui nada me prende.
E ainda que sejam épocas de mais alegria, e mesmo que eu, por agora, engane a minha consciência,
(Mesmo consciente do que estou a ocultar à minha consciência)
Não pertenço aqui; sinto-me sempre desolado, onde quer que vá…
Sinto sempre aquela tristeza amarga, seca, cismática, dolorosa…

Álvaro Machado - 01:54 – 25-12-2013

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