Desmistificação


A minha vida é um ensurdecedor e atónito chocalho
Que desmistifica o universo à normalidade da chuva, do vento que rompe...
Anda sempre à busca da liberdade dos altos montes escritos em livros
E dos mares que nos levam as memórias...

Tornando simples o sentido de viver,
Se ergue o coração de uma encosta imaginária,
Para que viva por dentro de um sonho em que vive sublime,
Sem nenhuma mágoa do que anteriormente vivera.

E assim, é feita uma nova criação da criação já antes feita,
Mas onde as ruas, os cafés, os frequentadores boémios da poesia,
Se não preenchem daquela prisão que a vida os acostumara a ter que sobreviver,
Preenchendo-se, então, do ar livre de campos mais amplos,
Da beleza de um sol diferente, mais fulgente, e cercados por seiscentas e seis luas
De cor cerrada, vermelha, intensa, que nos levará a um outro porto...

Mas não sabemos nós - pois fazemos um intervalo na consciência - que nem existimos.
O que nós vivemos é apenas o sonho prolongado e as pessoas que avistámos
No quotidiano são apenas cruzamentos que hão-de ser do sonho
E que, por uma felicidade, nos cruzamos com aquela pessoa em certo momento.
De resto, meus amigos, não há vida.
Nem mesmo nós existimos.

 Álvaro Machado - 16:19 - 25-12-2013

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