Dois de nós


Que silêncio em sentir
A ideia da presença
Da chuva a cair.
Que silêncio o dela existir
E ser mera lembrança.

Porque nem ela nem eu
Existimos no plano.
Não passamos de uma ideia que se concebeu,
Que indo estreita se alargou
Num fugaz engano.

E de tanta chuva neste meu pensamento
(Espera. Como não consigo voltar a ser?)
Ao olhar, por de trás da janela, lá p'ra fora, que constrangimento
O é não conseguir saber voltar e viver
Com novo alento...

Que me dói, então?
Saber que não posso dizer-vos que existo, dizer-vos quem sou.
Não tenho ninguém, vagabundo do dia que passou
Foi no outro dia o que me chamou
O meu próprio coração!

Quebrada barca
De partida se desvaneceu no horizonte
Um infeliz homem embarca
Já velho e cansado do que disfarça.
Meu querido Orionte!

Álvaro Machado – 22:53 – 06-02-2014

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