Mensageiro divino.


Em plena manhã clara,
Dando pela presença de alguém,
Fico estático e expectante
Do além, do que virá.

De súbito, do horizonte surge alguém.
Apresentando-se como mensageiro – e divino –
Uma vénia fez e logo proferiu:
«- Pois venho em segredo entregar
Este manuscrito: é destinatário um arrependido homem!»

E aquelas palavras se me esbateram,
Se me estremeceram no coração como um raio adormecido.
Seria ele uma premonição de minha futura tragédia,
De meu precoce fim?

Entregou-me o mensageiro a carta d’arrependimento.
Havia sido escrita por ti. Escreveste-a em tortas linhas horizontais,
Repletas de metáforas sobre uma qualquer luz frouxa
Que dizes ser eu…

Pois eu – não conhecendo o sentido real da vida nem o meu próprio –
Respondo-te agora, pelos meus versos curvados e leais,
O imenso sofrimento de estar só e consciente
Da tragédia da vida humana.

Álvaro Machado – 22:26 – 31-01-2014

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