Rejeição


Pedi-vos um tempo,
Um tempo de descanso,
Pedi-vos paz, sossego,
Nem tampouco a felicidade
Almejei.

Pedi-vos que me deixassem!
Quis ir numa viagem
Ao meu encontro,
Em busca de mim próprio
E mais ninguém.

E responderam-me,
Nas linhas tortas da descrença,
Lá do cimo do divino,
Que a desgraça entornaria
Sobre minha face!

Então... eu comecei a viver da noite
E da alucinação que a solidão dá...
Comecei a ouvir vozes, a vaguear nas ruas
E subia sobre mim um impulso de escrever
Tudo aquilo!

Deixei de ter horas, de ver o tempo a passar!
Deixei para lá a sociedade, as injúrias!
Larguei tudo (Ah, se vocês soubessem!) por nada,
Chorei no intermédio sofrimento
Que o destino traçou!

Deixei o amor-próprio numa cave funda...
Deixei de querer viver, ia lasso pela calçada abaixo
Quando me vias, e eu sorria indiferentemente
Para não parecer mal, para não veres realmente
O que eu estava a sofrer!

Se um dia tudo acaba,
E não nos afrontámos com esse fim,
Porquê o meu sofrimento, a vossa vontade
De dar abismo à alma?

Álvaro Machado – 16:06 – 04-03-2014

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