Rua da alma


Soar completo numa das ruas da alma,
Vaguear nela como que se o sentimento
Fosse de uma plenitude exacta,
Além-chuva.

(Começa a chover...)
E nesse soar eu não sou mais
Que um homem sozinho, feito para ser esquecido,
Nunca para ser relembrado.

Como dói estar à chuva.
Como pesa estar sentado num banco de jardim
A vê-los felizes, indo ora à frente, ora atrás,
Ora rodopiando de mãos entrelaçadas...

E eu aqui, na intermitência do tempo e da morte,
Preso ao sonho fugaz de uma vida inútil e infame...
Onde meus passos, em tempo, soaram plenitude
E não foram senão solidão iminente.

Álvaro Machado - 16:54 - 11-10-2015

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