Nada é real, nada é dor, nada é alegria
Neste mundo tão cheio de quase-verdade
E tão vago de quase-sonho; Nada lhe é certo,
Nada lhe é certo de ser, nada lhe chega perto de ser.
Eu não sinto no mundo real nada por ninguém,
Não partilho das indecisões de ninguém,
Não ajo a bem de outros... Fujo apenas, fujo além
Enquanto lhe souber caminho e achar-lhe rasto!
E dirão as estrelas que fuja com elas para bem longe,
Para uma nova esfera de gases mágicos, e intensas almas
Viverão como eu, tão prendidas do real, tão prendidas a
nada!
(Mesmo o facto de escrever me entristece; não tenho cura...)
Bem longe disto, dir-me-ão elas! Tão altivas naquele céu!
Tão fulgentes na noite! Tão longe da percepção!
Bem longe disto... Bem longe deste nada que sofre na dor
De nem sequer existir dor; do vazio da alegria que não
existe!
Se me acho escondido entre folhagens sombrias?
Se me acho cobarde entre parecer o que não sou?
Apre! Mais do que isso, acho mostrar mais do que devia,
Mais do que realmente devia …