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Álvaro Machado - De Repente (Rádio Marcoense)

Quando me sento a pensar no sentido de tudo que está ao meu redor, vejo que a vida é feita por um grande vácuo e que o tédio que me acerca é mesmo isso: um grande tédio em tudo.

Álvaro Machado - Conversa ao leitor (Rádio Marcoense)

Uma criação diferente, o que torna o poema também ele diferente e muito liberto das regras habituais que normalmente estão inerentes a ele. O leitor que se sente e oiça aquilo que lhe digo, pois muito aprenderá.

Fernando Pessoa - Leve, breve, suave (Rádio Marcoense)

O canto desta ave era "breve, leve, suave" e portanto daria uma prazer enorme só o facto dele existir. No entanto, a consciência de Fernando Pessoa e o "escutar" torna esse deleite numa mágoa, numa dor de pensar destrutiva.

Álvaro Machado - Universo que espera (Rádio Marcoense)

Sem medo nenhum do que os outros podem pensar ou achar de mim. Sou eu mesmo. Maluco, desvairado, o que for. Mas sou-o. E sou feliz, convicto dos meus sonhos e apreciador da literatura. Isso é quanto baste para mim.

Cesário Verde - Cinismos (Rádio Marcoense)

Não poderia haver melhor escolha para fechar esta primeira semana na rádio do que a escolha do grande poeta, Cesário Verde. Dos que mais intensificou o meu gosto pela literatura, dos que, indo a deambular pelas ruas da cidade, mais conseguiu captar de cada coisa que observava. Que grande poeta!

Ricardo Reis - Para ser grande, sê inteiro (Rádio Marcoense)

Agora apresentando o que hoje passou na rádio, tenho a dizer-vos que é, seguramente, um dos melhores poemas de toda a literatura. Nada complexo e bastante sentido. O conselho que cada um de nós deve seguir e nunca esquecer. Não poderia esquecer o grande Ricardo Reis.

Alberto Caeiro - Quando Vier a Primavera (Rádio Marcoense)

Aqui vos deixo então, como prometido, o que marca o início da rubrica "Poesia Álvaro" na Rádio Marcoense. E não poderia começar melhor: começa com Alberto Caeiro! Com a sensação de que tudo o que é, é-o assim, na sua condição natural. Tudo corre, connosco ou não, tanto faz.
E quem melhor do que o mestre da natureza, Alberto Caeiro, para nos fazer ver a simplicidade da vida?

A ti, de mim.

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Os tempos

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Contestação interior

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Na minha contestação interior, na minha revolta, Sinto não estar certo do que vou ser. As águas mexem mal, a vontade anda à volta, E eu já não sei o que quero ser.
Posso eu ser apenas anarquista? E não querer ser mais? Eu assim seria feliz com todos e não me revoltaria com ninguém... Ó Destino de águas paradas, por onde me levais? Apenas quero ser e não ser mais do que ninguém...
Quando olho cismático para os pormenores que me dão, Sinto como a luz daquele restaurante uma solidão Que só eu e a ela podemos sentir, porque é minha e dela; E o fumo que faz no ar é a razão de eu sê-la.
Vou em cismo todo o caminho: quererei em viver aqui? Nesta imitação imperfeita do homem? Não vale a pena, Porque a perfeição está num universo longe daqui - E isso é que me deixa com pena!
(Mas isto não é nada, nem contestação deve ser; Contestação é aquele vadio que me pediu para comer... Isso é que é uma contestação interior que posso crer, Porque isto é apenas estar cansado de viver...)
Álvaro Machado – …

Trajecto de quem passa

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Verdade exposta

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Nada de mim é meu

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Nada é real, nada é dor, nada é alegria Neste mundo tão cheio de quase-verdade E tão vago de quase-sonho; Nada lhe é certo, Nada lhe é certo de ser, nada lhe chega perto de ser.
Eu não sinto no mundo real nada por ninguém, Não partilho das indecisões de ninguém, Não ajo a bem de outros... Fujo apenas, fujo além Enquanto lhe souber caminho e achar-lhe rasto!
E dirão as estrelas que fuja com elas para bem longe, Para uma nova esfera de gases mágicos, e intensas almas Viverão como eu, tão prendidas do real, tão prendidas a nada! (Mesmo o facto de escrever me entristece; não tenho cura...)
Bem longe disto, dir-me-ão elas! Tão altivas naquele céu! Tão fulgentes na noite! Tão longe da percepção! Bem longe disto... Bem longe deste nada que sofre na dor De nem sequer existir dor; do vazio da alegria que não existe!
Se me acho escondido entre folhagens sombrias? Se me acho cobarde entre parecer o que não sou? Apre! Mais do que isso, acho mostrar mais do que devia, Mais do que realmente devia …