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questionar o inquestionável.

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deus?
sou ateu.
só creio em deus
quando me sinto a morrer.
e só, também.

sou mau por isso?
não creio nele.
o olhar de soslaio é quanto baste
- as estrelas vigiam-nos
enquanto dormimos...

sei bem quem sou.
não façam barulho...
já vos disse: sei quem sou. e calem-se, calem-se já.
que agora volto-me para o céu
e fico destroçado...

venha a morte.
aí, e só aí, creio em deus.
porém, antes disso,
nunca me acerquei de velas
e preces destoadas do real.

e morto, morto agora mesmo,
vos digo... digo...
esperem... não digo nada...
o maior segredo do mundo
é mesmo esse: a indefinição.

fim, começo?
deus sabe.

Álvaro Machado - 22:29 - 19-05-2014

Mito da existência

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Sou eu, meu amor. Sou eu.
Sou só eu e o quarto abandonado
Que foi de um só pensamento que se esqueceu
Quando mais devia ser relembrado.

Nunca tenho nada onde me agarrar
Senão à chuva e ao vento e às lembranças que vêm do luar.
De resto, que fora de mim, que é de mim?
Não faz nenhum sentido p’ra onde vou, nem de onde vim…

Se eu pudesse mostrar-te tudo o que estou a sentir…
O que grito por dentro com tanta indefinição…
Tudo o que olho no acaso e que consigo pressentir
Com uma tão grande e tão inútil noção…

Faz-se do obscuro do que move a corrente da alma
Uma clara névoa que nunca hei-de entender…
E, sem nunca saber o que estou a ver,
Virá a onda de o mar p’ra eu partir…

«Sou eu, sou eu!»
Disse alguém que do mar veio
E pelo mar também desapareceu.

Álvaro Machado - 01:45 - 25-04-2014

Mensageiro divino.

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Em plena manhã clara,
Dando pela presença de alguém,
Fico estático e expectante
Do além, do que virá.

De súbito, do horizonte surge alguém.
Apresentando-se como mensageiro – e divino –
Uma vénia fez e logo proferiu:
«- Pois venho em segredo entregar
Este manuscrito: é destinatário um arrependido homem!»

E aquelas palavras se me esbateram,
Se me estremeceram no coração como um raio adormecido.
Seria ele uma premonição de minha futura tragédia,
De meu precoce fim?

Entregou-me o mensageiro a carta d’arrependimento.
Havia sido escrita por ti. Escreveste-a em tortas linhas horizontais,
Repletas de metáforas sobre uma qualquer luz frouxa
Que dizes ser eu…

Pois eu – não conhecendo o sentido real da vida nem o meu próprio –
Respondo-te agora, pelos meus versos curvados e leais,
O imenso sofrimento de estar só e consciente
Da tragédia da vida humana.

Álvaro Machado – 22:26 – 31-01-2014

Divino

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Tenho uma vida incompleta, mas uma luta constante
Por ideais e utopias que me alentam a alma...
Não me rejo pelas normas, como seria normal,
E a minha liberdade não está à venda.

Vivo, apenas. Vivo na irreverência.
Roço o meu sentimento no oculto deleite
Que nem Deus, nem Satanás conhecem.
Nem está disposto para ninguém...

Só meu, novo paraíso de Éden,
Ascenção onírica e ébria...
Saudade de ter uma vida decente...
Nada, ninguém...

Álvaro Machado - 21:10 - 01-10-2013

VI

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Em memória de: Eupátor Dionísio

Hei-de voltar…
De noite é ódio, agora.
Jurei-me vingar:
Tenho honra.

Hei-de sagrar
Meu corpo como só eu sei.
Por momentos está por se consagrar
Ilha vazia, inteiro rei.

Hei-de superar
A dor que me infligiram…
Inda sou pequeno e estou a chorar.
Vocês nem sabem quanto me magoaram…

Serei o melhor quando voltar.
Não terei piedade com quem não teve comigo.
Serei o vosso pior inimigo
Quando perto de vós chegar.

Álvaro Machado – 13:01 – 14-09-2013

Infinito.

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Herói

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Sublime jardim

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