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Mito da existência

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Sou eu, meu amor. Sou eu.
Sou só eu e o quarto abandonado
Que foi de um só pensamento que se esqueceu
Quando mais devia ser relembrado.

Nunca tenho nada onde me agarrar
Senão à chuva e ao vento e às lembranças que vêm do luar.
De resto, que fora de mim, que é de mim?
Não faz nenhum sentido p’ra onde vou, nem de onde vim…

Se eu pudesse mostrar-te tudo o que estou a sentir…
O que grito por dentro com tanta indefinição…
Tudo o que olho no acaso e que consigo pressentir
Com uma tão grande e tão inútil noção…

Faz-se do obscuro do que move a corrente da alma
Uma clara névoa que nunca hei-de entender…
E, sem nunca saber o que estou a ver,
Virá a onda de o mar p’ra eu partir…

«Sou eu, sou eu!»
Disse alguém que do mar veio
E pelo mar também desapareceu.

Álvaro Machado - 01:45 - 25-04-2014

Consciência ampla

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Vou estar aqui sentado
Até que tudo seja vão e inútil.
Não me interessa.
Não tenho medo nenhum de nada.
Nem mesmo do fim.
Ai, sei lá, que de tanta dor que eu trago
Acho que já não não vale a pena...
Estarei, então, aqui
- No meio das coisas, mas longe do meio;
Só sentado, no relento da saudade,
Para lá do mundo, para lá de tudo,
Entre a calma e a plenitude
Acima de nós.
E sentado, do fundo amargo e doloroso da vida,
Paro: afinal não existo...

Álvaro Machado - 22:30 - 15-04-2014

Som alheio

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Som de ti, calmo quando sinto passar,
É uma saudade ténue de alguém
Que vem de longínquo lugar
Sem saber de onde vem…

O que de ti existe,
Alheio a este espaço,
É triste e não é triste
Como a vida que eu faço…

Som de ti que sei existir,
Mais calmo do que infeliz,
Foge do meu quarto, é repleto o porvir.
De mim não sei o que fiz…

Álvaro Machado – 17:14 – 21-01-2014

Marcha nocturna

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No submundo são queimadas,
Sem nenhuma lamentação,
As almas que, pelo senhor, são abençoadas
E tornadas servas da escuridão.

A viagem é ambígua, mar adentro,
Com as hastes içadas ao alto do universo;
Por onde iremos nós se o sentimento é disperso
E o inferno fica ao nosso centro?

Iremos até ao fim, até onde o destino nos levar.
E em uma ponte defronte, por nós esperando,
Está parado, dias e dias inteiros, o homem que vai guardando
A passagem para quem quer acreditar que pode passar…

Escutem, ao de leve da consciência, melodicamente,
A chuva a cair… Será que realmente existimos?
Pesemos a nossa alma: quem realmente se sente?
Para onde vamos, de onde vimos?

Álvaro Machado – 23:15 – 18-12-2013

Vós.

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Nunca verá a luz do dia
A criação
Nem ninguém a veria,
Se é o corpo vão..

Nem, em vós,
Encontrareis
Ao fundo do decurso a voz
Do que nunca sereis…

Porque ela tem existência
Noutro lugar
Para além da consciência,
Aquém do que é amar…

Álvaro Machado - 21:36 - 08-11-2013

Insignificante

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Do meu quarto perscruto
Infinito de toda a sensação
- Humana, sabendo, ou não...

Colide como se não nos quisesse ver.
Estonteia como se não existíssemos sequer.
Dói como uma alma que se torna incapaz por egoísmo do destino...

Todo o mundo, agora, se encurta às mentes que homenageiam a bênção.
(Talvez pouco para o que sinto...)

E todo o mundo se torna pouco entre mim.
Muito mais do que o mundo é o que eu sinto!

Álvaro Machado - 23:30 - 17-09-2013

Leviana

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Calmamente sei não existir
Como linhas de horizontes ébrios
Para quê pensar no porvir
Se, em permeio, não desvendam mistérios?

Soa-me a destino, voz ténue me sinto ouvir
Em mim sussurra friamente
Que a vida nos move e separa, e hei-de partir
Como nunca sendo gente.

Quis ser só assim, de nada e por nada.
Quem, lendo isto, não se revê na manada?
(E não sei por que escrevo, não sei em versos sentir...)

E encerro como dei início, numa rima indeterminada
Como cada alma que, não sendo gente, embriagada
Não tem caminho por onde possa ir...

Álvaro Machado – 04:32 – 04-08-2013

Luas e noites

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De há muitas noites
A vida passa e não pára.
E tu, sempre que me encontres,
Continua na viagem da vida
Sem parar.

Se me vires, sou apenas alguém
Que, em vez de viver, esperou.
E esperou sozinho, sem ninguém,
No demorado corredor das incertezas
Para sempre.

A lua está poisada,
Poisada durante a noite.
E enquanto vais, nessa longa caminhada,
Espera por mim, estou no convés, em cismo,
Como se nada disto existisse.

Álvaro Machado - 23:12 - 02-07-2013

Em silêncio com a alma

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Estou longe e ninguém me ouve
Nem eu me consigo ouvir,
Que o destino saiba sempre
Onde vou antes de eu ir.

Não existo, não sou ninguém,
Nem eu mesmo consigo sentir-me alguém,
Se o fosse não estaria aqui a escrever
O que não consigo ser.

Perscrutar-se silêncio é consequência
De não-existência
E ninguém que exista pensa no silêncio,
Se o há realmente ou se há somente vazio...

Estar longe pode não representar distância.
Pode ser um avanço ou retorno no tempo,
Um regresso ao passado, um pulo ao futuro,
Ou, talvez, nem distância se possa representar.

Quem sente o silêncio, quem sabe que ele existe
A este mundo não pode pertencer,
E eu só dou pelo silêncio à noite
Quando ninguém me consegue reconhecer.

Álvaro Machado – 20:53 – 23-03-2013

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Existência

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Sinal de Deus

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Na vida desconhecida e no infinito sabido Conhecermo-nos no permeio É um sinal de Deus, que digo e creio Nunca tivesse existido...
Se é supostamente sonhado viver, Encontremo-nos todos um dia E juntos façamos à alma crer Que por ali, Deus existia...
Pode ser que assim, crentes na prece, Incida sobre alguém um sinal… Esperemos para ver se acontece Um dia de novo igual...

Peso da alma

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