Há tanta coisa que queremos mudar
Neste dia, ou noutro qualquer,
Por sabermos que um dia vai acabar
Aquilo que ninguém querer
Há múltiplas impressões enfraquecidas
Nessas mentes que vagueiam esquecidas
E afogam mágoas sem as ter
Pelo corpo sem querer.
O dia de hoje é tão triste que entristece
Rostos dos que assistiram àquela desgraça.
Como só sangue enchia aquela praça
Meu corpo também escurece.
Rapaz de pouca idade, à berma da estrada,
Sem voz para pedir apenas por vida...
Tudo lhe tremia - até a própria alma
Que gemia com tanta dor...
Uns tantos juntaram-se àquela vida,
Sabendo que nada por ela podiam fazer,
E choraram junto de si com tanto prazer
Que por momentos parecia criança amada.
Vida tão inútil e vã, tão cruel e egoísta!
Tira a vida a esta alma inocente
E leva-me com ele tristemente
Até que me percam a vista!
Álvaro Machado - 19:25 - 08-10-2012