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Conversa ao leitor

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entra. convido-te a entrar.
este é o poema que te aproxima
talvez de mim, talvez de tudo
aquilo que eu sou.

tem pouco de diferente,
muito de comum.
um caminho atónito
de quem não sabe porque sente.

à porta te espera o meu primeiro eu
guardião de um templo
creio ser tanto meu como teu

divino, na modéstia de um vadio,
é um snobismo.

mas, dizia-te, entra.
percebes agora?
em tudo, nada.
do nada que eu sou
este poema
está criado.

pouco ou nada vale.
ninguém o lê.
não é digno de um livro.
porque é rápido e sério
e não se vende corações,
sentimentos...
vende-se arte, dizem,
da história que tem amor e família
que faça sofrer e por fim rir
desleixados leitores.

percebes agora?
este poema é uma conversa ambígua
que nem forma se lhe dou
E se agora quiser
Começo a erguer as maiúsculas
Que é de mim? Que quero eu com isto, afinal?
(minúscula.) mostrar que a liberdade é mal vista
aos que fazem por atirar areia
que aqueles do amor são contemporâneos autores.

quê? não são coisíssima nenhuma.
provavel…

Evangelho

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Não há bondade, nem reino nenhum
Que eu possa desejar
Enquanto estiver lúcido e disposto a pensar
Que não sou qualquer um.

Estou cansado que digam o que é certo, o que é errado.
Limitem-se às vossas limitações enquanto crentes.
Vocês não são mais do que serventes
Do mundo que, rezando, está amaldiçoado.

Nenhum livro me dirá para não sonhar
Com ordem superior e irrefutável.
Farei sempre o impensável
Custe o que custar.

Ser ousado, e ousar, é um acto nobre e superior
Que deveria acolher-se de bom grado.
Todos os livres-pensadores que se foram a deus teriam amor
Se ninguém os tivesse enganado, atraiçoado.

Álvaro Machado - 17h50 - 02-09-2013