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Por hoje acabou

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Hoje ninguém existe.
Nem o meio termo nem a saudade,
O sol poente e a neve dos altos montes
Longínquos como temos sido
Acabou agora mesmo de cessar.

Hoje toca o sino da igreja
Que assinala o nosso fim
Estende-se fúnebre pelas casas e pelas ruas
E desvanece como que perdido
Assim nós o temos sido.

Hoje nada é nada.
Nós somos como pó no meio da estrada,
Somos relembrados, somos esquecidos,
Somos uma tempestade e um vendaval,
Uma origem e um final...

Álvaro Machado - 14:06 - 10-02-2014

Profetas do vazio

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Em silêncio com a alma

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Estou longe e ninguém me ouve
Nem eu me consigo ouvir,
Que o destino saiba sempre
Onde vou antes de eu ir.

Não existo, não sou ninguém,
Nem eu mesmo consigo sentir-me alguém,
Se o fosse não estaria aqui a escrever
O que não consigo ser.

Perscrutar-se silêncio é consequência
De não-existência
E ninguém que exista pensa no silêncio,
Se o há realmente ou se há somente vazio...

Estar longe pode não representar distância.
Pode ser um avanço ou retorno no tempo,
Um regresso ao passado, um pulo ao futuro,
Ou, talvez, nem distância se possa representar.

Quem sente o silêncio, quem sabe que ele existe
A este mundo não pode pertencer,
E eu só dou pelo silêncio à noite
Quando ninguém me consegue reconhecer.

Álvaro Machado – 20:53 – 23-03-2013

Existência

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Ser eu

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Ida de abandono

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O coração

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"Ainda estás por aí, coração?
Só queria ver-te e cantar-te a canção
Que durante anos escrevi para ti."

"Estou como sempre estive, por aqui.
O que me dizes não é que escreveste sobre mim,
O que me dizes é que não sabes nada de mim."

"Oh meu coração de tantas eras, de tantos réis,
Eu escrevo sobre as tuas derrotas cantadas,
Sobre aquilo que vós não sabeis..."

"Não; tu escreves o que perdi, não o que ganhei.
Tu falas do que não sabes, tu não falas do que conquistei.
Eu fui o grande amor, eu nunca fui o que sonhei..."

O coração sempre esperou, a voz sempre tremeu,
E nunca ninguém lhe apareceu.
Largos anos de espera, largos anos de frio sofrido,
E nunca ninguém lhe tinha aparecido.

"Eu vou indo pela maré atribulada,
Já que não acreditas nas minhas palavras.
Eu vou indo com a alma naufragada,
Como tu ias quando não te encontravas."

Álvaro Machado - 20:54 - 14-01-2013

Solidão

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