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O eco que vai por Coimbra

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Ecoa no Mondego desta cidade
o som de outros tempos.
Oiçam, bem de perto, a intemporalidade
que vai na corrente
e que são versos.

(Ecoa neste rio o meu coração...)
Eu que, isolado, sem saber tomar
uma direcção,
pergunto aos deuses do universo
se algum dia me hão-de recordar
como eu os recordo...

Não sei, porque me dói muito querer saber.
Dou um breve suspiro, fito as indefinições do ar,
e penso para mim: quero é morrer.
Por que hei-de outro caminho querer,
se por mim ninguém vai suspirar?

Mas é deste rio que me vem a veia de artista
- incerto, desconhecido, embriagado pela sublime paisagem.
E continuei pensando: nem que isto me leve ao suicídio, nem que da minha vida desista,
o que eu quero é saborear esta viagem
aos tempos passados.

Álvaro Machado - 20:12 - 10-06-2014

Retomados

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Fosse tudo a retomar, tudo de novo a surgir
(A não ser que o destino fosse favorável!)
Os mesmos silêncios a tomarem existência
A disforme liberdade a entontecer...

E as mágoas desaguarem num riacho impossível
(Como eu estar sozinho a escrever...)
Pedras submersas, naufragadas de mar em mar,
De vidas vazias sem razão de existir...

Mas volta a corrente para as levar
Para o lugar sombrio de onde vieram,
O mesmo porto sombrio e sozinho
De volta ao que era…

(E os sonhos acabarão por chegar…)

Álvaro Machado – 16h00 – 06-07-2013

Janela do rio

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Quebraram-se as janelas da entrada De onde o sol outrora iluminava fulgente E enchia de esperança o rosto ardente De maneira tão encantada!
Desmoronam as raízes dos sobreiros De onde o rio outrora percorria alegremente, Quando o meu sonho era viver eternamente Aproveitando dias e dias inteiros!
Agora, que da janela só avisto escuridão E do rio apenas sinto um vazio sem explicação, Tudo quanto entrou, saiu, e não há-de voltar - Nem rio, nem sol, nem vontade de continuar!
Álvaro Machado – 23:04 – 21-04-2013

Peso do rio

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Flocos

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Ser o que não é

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Perdição

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Manhã do rio

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Hipótese intercalada de estar e de não-estar Vento lutuoso nas manhãs brumosas Junto ao rio, e quando vê-lo é passar Das horas frias às horas calorosas, Não sei para onde me olhar...
Sei que o vento move um silêncio eterno, E elas movem a razão de o ser... Gotas caídas pelo fusco de estar a chover, De não haver mais frio de inverno, E só a paisagem deixando acontecer...
Averno subtil e pausado do orvalho estagnado, Cantaria fúnebre delas sentenciadas ao fim, Raio de sol suprimido e ritmo dócil cessado... E nem saber se há um raio de sol iluminado Que se lembre de mim...
E a paisagem há-de continuar paisagem, Assim como o vento será eterno vento! E a água que escorre pára num momento Em que finda isto e a sublime viagem! (Estando ou não, lamento...)
Álvaro Machado – 20:14 – 27-11-2012

Qualquer identidade

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