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Espero por alguém. Divago no universo.
A noite é a companheira que a mim se juntou.
A história de mim é simples, pedaço disperso
Por quem nunca ninguém cruzou.

Desejo de viver é tanto e vontade
Que desejar é metade
De viver, metade de sentir.
Metade de nunca vir.

Se divago eu, no permeio desta gente,
Como posso dizer-me certo e não errado?
Sentir p'ra mim nunca foi achado
Porque toda a alma mente...

Álvaro Machado - 14:43 - 04-07-2013

Luas e noites

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De há muitas noites
A vida passa e não pára.
E tu, sempre que me encontres,
Continua na viagem da vida
Sem parar.

Se me vires, sou apenas alguém
Que, em vez de viver, esperou.
E esperou sozinho, sem ninguém,
No demorado corredor das incertezas
Para sempre.

A lua está poisada,
Poisada durante a noite.
E enquanto vais, nessa longa caminhada,
Espera por mim, estou no convés, em cismo,
Como se nada disto existisse.

Álvaro Machado - 23:12 - 02-07-2013

esperança

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sala escura, caras estranhas.
os mesmos efeitos, as mesmas dores.
as tão conhecidas façanhas
os altos e nobres falsificadores.

o mesmo objectivo de livre-arbítrio:
não querer estar aqui, querer só estar bem;
querer estar longe e noutro sítio,
estar sozinho e sem ninguém.

nem sempre querer-mos escolher
é estar do lado certo.
o caminho tem de estar pronto a nos receber,
tem de estar de coração aberto.

e a sala escura já se ilumina.
é novo dia a dar-nos a mão.
rasga-se no céu um clarão
- a certeza que deus nos concebe o perdão.

Álvaro Machado – 22:38 – 30-06-2013

Janela d’liberdade

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Da janela vejo a liberdade.
Passa num ápice - todas as crenças,
Os valores, as aspirações para ser
Mais do que realmente se é.

E dentro da minha sossegada sesta,
Sobre a quieta e silenciosa noite,
Mais do que livre, quero viver
Ao sabor de nada, ao relento dos ventos.

Pois demos todos graças de viver.
Seja desta ou daquela maneira.
Viver sem cruzar coisas como a dor
É viver na feliz inconsciência.

E da pouca liberdade que tenho,
A de ver a liberdade pela janela,
Sinto-me feliz: respiro e estou vivo.
O resto desvaneceu...

Álvaro Machado – 22:14 - 30-06-2013

Tróia

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Sepultado no oceano mais longínquo e mais tenebroso,
Num constante silêncio cheio de nada,
Vive, morto, o coração de mim.
Ninguém o recorda, e ele nunca existiu.

Fugindo de rota, recuando atrás no tempo,
Vive-se de heróis e de coragem os dias,
Preenche-se de sangue e de traição as noites
- Estamos na Guerra de Tróia.

E os movimentos inatos de guerreiro,
O corpo esbelto e destemido, o olhar desafiador,
A firmeza das mãos, tudo, derrota um exército inteiro
Somente com uma espada entre mãos.

Heitor seu sangue vê derramado sem piedade,
Sobre uma mão erguida contra o sol e a voz de intocável que diz:
«Vinde um a um, vinde aos pares, vinde de uma manada só.
Eu sou Aquiles e nenhum de vós me vencerá!»

O tempo cura tudo. Até o que não cura.
No mar anterior, o mar que virá a sepultar Tróia,
Arde em chamas intensas pelas mãos de Hefesto
O coração que virá a pertencer a mim.

Álvaro Machado – 23:54 – 29-06-2013

Serenidade

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Sereno, neste meu espírito de ninguém.
Bate furiosamente encosta a encosta, o mar,
Sem que as forças se movam além
Eu paro e deixo-me levar.

Sereno, sei ver muito bem o juízo final.
E, erguendo-me até bem perto do areal,
Com todo o horizonte sinistro em frente
Estendo os braços destemidamente.

Leva o mar a minha vida,
Minha esperança de continuar...
Talvez um dia tudo possa voltar
E seja outro eu na sua vinda.

Álvaro Machado – 21:28 – 28-06-2013

No universo…

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Largaste-nos neste vago universo
Sem que soubéssemos quem és, o teu nome, de onde vens...
E agora, após tantas perguntas feitas e nenhuma resposta,
Compreendo realmente o vazio de que somos feitos...
O universo é a complexidade em que nada faz sentido.
- Vimos constelações paradoxais, órbitas da impossibilidade,
Planetas maiores que o nosso, escuridão cheia de fel...
Mas tu partiste antes disso tudo, partiste sem nos ver...

Fica em nós o nome Deus e o livro da nossa criação,
Fica em nós o peso da sua consciência.
E em cima de nós está a resposta a todas as perguntas.
Quem chegar ao cimo saberá o porquê de ter estado em baixo.

E abandonaste-me sem que eu te conhecesse...
Partiste sem que eu te escutasse...
A minha fé já mais não existe
No dia em que o universo criaste...

Álvaro Machado – 21:09 – 28-06-2013